
O ambiente competitivo na maioria dos mercados leva empresas a apostar em gestão de pessoas. O desenvolvimento de liderança é a bola da vez no mundo corporativo. Programas para melhorar o relacionamento interpessoal não faltam. Vão de uma simples confraternização a imersões em resorts monitoradas por empresas especializadas em dinâmicas em grupo. O objetivo desses programas focados no bom convívio entre colaboradores é criar laços entre eles. A minha dúvida é: laços criados em uma tarde são sustentáveis? A corrida corporativa começou a ser introduzida como uma ferramenta alternativa. Após uma prova de 10 km no Rio de Janeiro, visitei a tenda de uma grande empresa. Fui apresentado a um sujeito que aparentava uns 50 anos de idade. Era o diretor do departamento em que trabalha um amigo. A conversa entre nós três foi brevemente interrompida por um garoto de uns vinte e poucos anos. “E aí, bigode? Fez em quanto tempo?”. Bigode era o diretor. O garoto despachado era um help desk, função das mais simples naquela empresa. Mais tarde eu mataria a curiosidade perguntando a meu amigo: Bigode era um apelido instituído? Não era. Fiquei encafifado. Existe liberdade na empresa para esse tipo de tratamento? A resposta espontânea de meu amigo faz a corrida colocar no chinelo os tais programas corporativos: “Na empresa, eles se tratam formalmente. Mas aqui não existe chefe ou subordinado, diretor ou help desk. Existem corredores”. O clima era exatamente esse. Mesmo com a resposta convincente, fiquei pensando no tratamento por “Bigode”. Num churrasco, não pegaria bem. Então, desisti de comparar. Afinal, no pós-prova, as pessoas tomam Gatorade, comprometem-se totalmente, fomentam o companheirismo, buscam bater metas pessoais, torcem umas pelas outras. Tudo isso sem estar alguns goles acima da humanidade. São práticas e valores triviais para equipes de corrida, mas que as empresas ainda tentam compreender. Texto Originalmente publicado no blog Chegar Lá, de Cassio Politi.
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Professor de Educação Física, bacharel em Treinamento Esportivo formado pela Unicamp (Univ. Estadual de Campinas) em 2004.
Atua como Professor de musculação, Personal Trainer e treinador de Corrida de Rua em Campinas há pelo menos 5 anos. leia mais...
